Você acorda com o pé direito? Se cruzar por um gato preto ou passar por debaixo de uma escada, certamente terá azar? BATE NA MADEIRA!
Como você, há muitos supersticiosos. E aqui, você encontra todas as superstições.
A sorte, ou a falta dela, nos acompanha no cotidiano. No Dados da Sorte você encontra matérias e curiosidades sobre esse lado imprevisível da vida.
Desvende esse mistério com a gente....
e boa SORTE!

ENTREVISTAS

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Assista a chegada da Imagem de Nossa Senhora em Porto Alegre

sexta-feira, 28 de novembro de 2008


NUMEROLOGIA: um histórico dos significados


O conceito de número na sua forma mais simples é claramente abstrata e intuitiva. Foi objeto de estudo, entretanto, de diversos pensadores. Pitágoras, por exemplo, considerava o número a essência e o princípio de todas as coisas; para Schopenhauer, o conceito numérico apresenta-se "como a ciência do tempo puro".
Cada cultura tem as suas superstições, mas crenças associadas a números parecem ser comuns a todas. Se no Ocidente 13 é o número do azar e 7 o número da sorte, no Oriente azar é o 4 e sorte é o 8.
O n.º 13 é comumente relacionado ao azar. Por tal motivo, há prédios nos Estados Unidos em que ele não existe: do 12 passa-se diretamente ao 14. O andar n.º 13 existe fisicamente, só que é apelidado de 14. Ou 12-A.
O técnico Zagallo é de opinião contrária: afirma que o número 13 lhe dá muita sorte13. Casou no dia 13 dia de Santo Antônio, mora no 13º andar de um prédio no Rio, a placa do seu carro é: LCL-0013, foi campeão mundial pela 1ª vez em 58 (5+8=13), e a última vez em 94 (9+4=13). E mais: nasceu em Maceió em 31, invertido vira 13. Em 1950, o mundial foi realizado no Brasil, e Zagallo por certo, já batia sua bolinha vestindo a camisa 13.
O 7, segundo Julio Sayão, também chamado de "setenário", é o número sagrado em todas as teogonias, em todas as filosofias , em todas as religiões, desde a mais remota antigüidade. Assim é que aparece, em todos os setores da atividade humana, os 7 dias da semana, as 7 cores do arco-íris, as 7 notas musicais, as 7 maravilhas do mundo antigo, os 7 planetas da Astrologia exotérica, os chamados 7 pecados capitais, os 7 dias da criação e etc.
Na China, o processo prende-se quase sempre com a figura ou o som das palavras. O 4, por exemplo, é visto como um número mau, porque a sua leitura fonética (si) é muito parecida com a de morte. Da mesma maneira, o 8 (ba) é visto como bom porque tem um som semelhante ao de fortuna e prosperidade.
Letícia Castro, jornalista, diz que a adoração pelo 8 não é moda de ocasião. “Os chineses acreditam há muitos séculos que o número 8 é o melhor de todos”. Há histórias malucas sobre a prática, comum entre eles. Conta-se que, uma vez, na cidade de Chengdu (sudoeste da China), vendeu-se um número de telefone, de dígitos 8888-8888, por mais de 270 mil dólares. Já um homem em Hangzhou (leste do país) pôs a placa de seu carro, A88888, à venda por mais de um milhão de yuans (unidade da moeda chinesa). Até o famoso peixe dragão, espécie rara e muito valorizada, tem sempre vários números oito em seus chips de identificação. Tanto é assim que os chineses escolheram a data Jogos Olímpicos de Pequim de 8-8-2008, para dar início na oitava hora do oitavo dia do oitavo mês do oitavo ano.
O número 666 é, de acordo com a tradição cristã, um número correspondente ao nome da Besta (616 em alguns manuscritos). A origem da profecia provavelmente está associada à tessera, sinal marcado sobre os escravos romanos.
O número 3 tem uma grande importância simbólica de união e equilíbrio, aparecendo na Santíssima Trindade, nos três poderes (jurídico, executivo, legislativo) etc, sendo recorrente sua presença na literatura e nas artes. Três também é um número chave da democracia, pois é a quantidade mínima de pessoas necessárias para que se consiga tomar uma decisão em grupo. Também é conhecido sexualmente em “ménage à trois”. O três também é usado como pedida de socorro. Para pedir socorro no deserto ou em alguma outra região, basta fazer três fogueiras, porque três é um código mundial.
Segundo Dante Alighieri, na Divina Comédia, existem 9 círculos do inferno e 9 esferas de céu; os rituais Budistas normalmente envolvem 9 monjes; os primeiros 9 meses do mês Hebreu de Av que nos leva ao nono dia que foi o dia da destruição de ambos os templos de Jerusalém; ou mesmo até nos contos de Tolkien em que 9 é o número tanto de membros da irmandade que sairam de Rivendel, bem como o número de Nazguls que os perseguiam. O 9 é o princípio da Luz Divina, Criadora, que ilumina todo pensamento, todo desejo e toda obra, exprime externamente a Obra de Deus que mora em cada homem, para descansar depois de concluir sua Obra:. O homem novenário que pelo triplo do ternário, é a união do absoluto com o relativo, do abstrato com o concreto:. O número nove, no simbolismo maçônico, desempenha um papel variado e importante com significados aplicados na sua forma ritualística:. O número 9, é o número dos Iniciados e dos Profetas.
José Laércio do Egito historiador relata que “o número cinco por certo é o que mais diretamente está ligado à vida no plano material. É considerado desde remota antigüidade como sendo o símbolo da humanidade”. Geralmente tende a ser positivo, não é fácil a negatividade penetrar pelo número cinco. Preside todas as manifestações da vida, especialmente a animal e, com mais intensidade, a vida humana na matéria
Diz a Tradição que o mundo material é constituído por quatro elementos: Terra, Água, Ar e Fogo, mas em se tratando dos seres vivos tem que ser considerado um quinto elemento Akash que é equivalente à luz. Sem a luz a matéria orgânica não se constitui, haja vista que o mundo animal depende dos vegetais que sintetizam os compostos orgânicos pelo processo de fotosíntese a partir da luz solar. Além de ser cinco as funções básicas do organismo - Respiração, digestão, circulação, excreção e reprodução. assim como também são cinco as funções orgânicas: Respiração, Digestão, Circulação, Excreção, Reprodução.
Cinco funções sentidos: Visão, Olfação, Audição, Paladar, Tato. Função psiquismo: Inteligência, Razão, Intuição, Memória, Sentimento. São cinco as sensações gustativas, (cinco sabores básicos): salgado, amargo, ácido, picante, e doce. Também são cinco as sensações táteis: temperatura (quente/frio), densidade (mole duro), maleabilidade (rigidez/flexibilidade/fluidez), aspereza (macio/rugoso) textura (fofo / não fofo). Cinco são os odores básicos, mas na língua portuguesa não existem palavras bem especificas para eles. Usam-se mais termos de analogia, como sejam: odor azedo, adocicado, almiscarado, acre (acido) e pútrido. Cinco percepções visuais básicas: cor, dimensão (tamanho), forma, (amorfo / não amorfo), simetria (relações comprimento, largura, altura), proporcionalidade. São 5 as qualidades do homem perfeito: Bondade, justiça, amor, sabedoria, verdade.
A numerologia afirma que cada número tem um significado que influí na vida de cada indivíduo. Assim supostamente cada nome carregaria uma "vibração numerológica", por esse motivo muitas pessoas empregam nomes artistícos, acreditando que vibrações de números mais vantajosos influam positivamente na carreira.

sexta-feira, 7 de novembro de 2008

A Padroeira do Brasil inaugura seu canal de TV em Porto Alegre


No dia em que a Igreja Católica comemora o dia de todos os santos, 1º de Novembro, fiéis de todo o Estado acompanharam a imagem peregrina de Nossa Senhora Aparecida. A procissão partiu às 17 h da Igreja Nossa Senhora da Conceição, na Avenida Independência, após a realização de uma missa. Chegou à Catedral Metropolitana às 18h15min com dezenas de fiéis já a espera da santa. Neste momento a demonstração de fé foi intensa, todos desejavam tocar na estátua, várias crianças foram erguidas para alcançar à peregrina. Ao descer do carro de desfile, o padre redentorista guardião da imagem quase foi engolido pela multidão sedenta de graças e curas.
A segunda celebração iniciou às 18:30 na catedral e foi transmitida ao vivo pela TV Aparecida, que desde o começo de outubro já esta no ar pelo canal 59 UHF e no canal 28 da Sky. A missa foi presidida por Dom Alessandro Ruffinoni, bispo auxiliar de Porto Alegre, responsável pelo vicariato e seminário de Gravataí. As atividades religiosas abriram oficialmente na Capital as transmissões da TV Aparecida, canal católico inaugurado em 2005, em Aparecida (SP).
Em sua homilia, Dom Alessandro falou sobre os rostos de Cristo, que cada um se identifica com uma das representações de Jesus produzidas por todo o mundo. O bispo afirma que a verdadeira face de Cristo é a das bem-aventuranças, é um rosto de misericórdia, pobreza, mansidão, pureza. Ele pergunta para os fiéis: “Qual é o meu rosto de cristão, de discípulo missionário de Cristo?” É a semelhança das bem-aventuranças de Jesus que todo o cristão deve buscar imitar, afirma o sacerdote. “Neste dia de todos os santos, neste dia em que Maria nos visita, eu me emociono com este templo cheio, pois correu a notícia que a virgem de Aparecida nos visitaria”.
É dever da TV Aparecida e de todos os canais católicos levar o evangelho ao seio de nossas famílias, que esta graça que recebemos hoje permaneça no nosso coração, nos ajude a transformar a nossa vida, diz o celebrante. Tocar na imagem é sentir sair dela uma força que ecoa dentro de nós “não tenhas medo”, Maria sabe que desejamos sentir a benção dela, testemunha o bispo auxiliar da Capital. A celebração foi concretizada com a consagração do Rio Grande do Sul e do Brasil à Virgem de Aparecida.
A TV Aparecida não é a primeira rede católica que chega este ano a Porto Alegre, dia 29 de Julho, a TV Canção Nova inaugurou uma retransmissora na Capital, canal 24 UHF. O Rio Grande do Sul conta com 31 retransmissoras da TVCN, em parceria com a Fundação Fraternidade.
Depoimentos de devotos a Nossa Senhora Aparecida
Descoberta em 1717, a imagem de Nossa Senhora Aparecida atrai à Basílica de Aparecida, todos os anos, 7 milhões de fiéis. Essa devoção transforma o Santuário no maior centro mariano de peregrinação religiosa do mundo.

Raul Lopez, 59 anos:
Eu fiz uma promessa pra minha filha que foi operada de um problema do intestino. Eu e minha senhora prometemos que se a operação desse certo, já que era bem difícil, a gente faria mil folhetinhos da Santa Rita de Cássia pra distribuir. Mas eu fiz promessa também à Aparecida. Tenho que levar ela lá em Aparecida do Norte ( SP) para pagar. A gente acredita em todos os santos. Todos são bons, mas tem aqueles que são especiais.

Iolanda de Carvalho, 75 anos:
Eu fiz uma promessa em Aparecida do Norte pra um câncer que a minha mãe teve. Ela foi curada. Passaram-se alguns anos e eu também tive um câncer. Isso foi há 30 anos, mas agora eu estou curada! Eu tenho a imagem dela por todos os cantos das quatro casas que tenho. Depois eu passei num concurso muito difícil na Receita Federal e paguei de joelhos na Igreja em Aparecida. Eu assisto a TV Aparecida todos os sábados. A missa é transmitida direto do santuário.

Norton Sola, 50 anos:
Pra mim é de suma importância a vinda da imagem de Nossa Senhora Aparecida. Sempre agradeço nas orações pelas coisas que acontecem e sempre tem aquele pedido pelas coisas que a gente quer alcançar. Ela sempre dá uma mãozinha para nós. Acho que minha fé vem desde pequeno, influência da minha mãe.

Tatiane Teixeira, 18 anos:
É uma emoção vê-la. Uma grande experiência. Lindo!

Sonia Kifner:
Significa muita coisa a vinda da Nossa Senhora. É a santa que temos devoção, que rezamos todos os dias e pedimos paz para o mundo.

É cura ou é milagre?


De acordo com a teóloga Miriam Pedrini formada pela PUCRS, cura é quando uma pessoa fica sarada de uma doença sem tratamento médico, onde a medicina poderia resolver o problema. Milagre é quando uma pessoa é curada de forma extraordinária que nem a medicina mais avançada solucionaria, então é diagnosticado como um milagre que a ciência não pode explicar, explica a especialista. Ela cita o exemplo de uma pessoa que não possuía glóbulo ocular e volta a enxergar, quando não há nenhum tipo de tratamento que faça o olho se formar novamente, por isso, este caso é considerado um milagre.
(Ouça testemunho de Maria da Graça que recebeu uma cura).

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Adoração e veneração são a mesma coisa?

Segundo a doutrina católica, adora-se somente a Deus, Trindade Santa, Pai, Filho e Espírito Santo. A veneração é feita à Nossa Senhora, aos anjos e aos santos da Igreja.

Por que existem os Santos?

A veneração à Maria Santíssima, bem como o culto dos outros Santos, promove a edificação dos fiéis e através da intercessão e do exemplo destes os cristãos são sustentados, (CDC 1186). No cânon seguinte deixa-se claro que só é permitido venerar servos de Deus inscritos no catálogo dos santos e beatos da Igreja. Diz o Catecismo da Igreja Católica que ao proclamar que certos fiéis praticaram heroicamente as virtudes e viveram na fidelidade à graça de Deus, a Igreja reconhece o poder do Espírito de Santidade que está em si e cultiva a esperança dos fiéis (CIC 828). De modo simplificado Miriam expõe os critérios de canonização de um cristão: “Primeiramente se pesquisa toda a vida do servo de Cristo para descobrir sua história, virtudes e averiguar se não há nada que contrarie os ensinamentos da Igreja. Depois se faz uma investigação para comprovar se por intermédio deste tenha acontecido pelo menos um milagre”.

Quantas Nossa Senhora existem?

"Herdamos dos portugueses o mistério de Maria. Ela é um meio de chegar a Jesus Cristo. E toda a devoção que se vê aqui é uma manifestação de fé em Jesus Cristo", dizia o cardeal Aloísio Lorschider, bispo já falecido que idealizou e construiu o Santuário de Aparecida.
Maria é objeto de devoção da Igreja Católica por ser virgem e, graças ao Espírito Santo, ter concebido Jesus. No Código de Direito Canônico a Igreja recomenda a veneração especial e filial dos fiéis à sempre Virgem Maria, Mãe de Deus, a quem Cristo constituiu Mãe de todos os homens (CDC 1186). As imagens conhecidas como de Nossa Senhora recebem numerosas denominações: do Bom Parto, dos Navegantes, da Saúde, do Perpétuo Socorro, do Desterro, da Conceição, dos Impossíveis, das Graças, entre outras. As mais famosas são as de Nossa Senhora de Lourdes, devido às 18 aparições ocorridas naquela localidade francesa, em 1858, e Nossa Senhora de Fátima (Portugal), onde elas teriam ocorrido seis vezes, em 1917. A Virgem Maria, portanto, é uma e muitas ao mesmo tempo, sob mais de 2 mil nomes, sua devoção se espalha por todo o mundo católico. “É uma mãe que aparece com o rosto de seus filhos”, conclui a teóloga.

quinta-feira, 9 de outubro de 2008

Afro-gauchismos




Casas de Santo, Mercado Público de Porto Alegre
Fotos: Bruna Weis Scirea


Saravá! A Sorte Negra

Os gaúchos descendem majoritariamente dos europeus, mas não dispensam as religiões africanas na busca de conforto espiritual e realização pessoal

Santos e imagens de Quimbanda dividem a mesma prateleira na Casa Flora Reino Oxalá
A partir da segunda metade do século XIX, os escravos africanos trouxeram às fazendas do Sul não só sua força de trabalho, mas também sua cultura, crenças e costumes. O afro-gauchismo tem origem em Pelotas e Rio Grande e hoje está disseminado por todo o Estado. Atualmente, não só os descendentes de escravos buscam essa religião. Na Casa Flora Reino Oxalá, localizada no Centro de Porto Alegre, o funcionário Luis Alberto explica o que faz as pessoas buscarem a religião Umbanda e a ajuda de Pais- de -Santo. “A pessoa nos busca quando precisa melhorar de vida, se quer progredir. No âmbito da saúde, do amor, na abertura de caminhos”, diz Luís Alberto. Entretanto, ele afirma que a Sorte não é criada, a pessoa que freqüenta a casa tem de acreditar no julgamento dos superiores e ter atitude para fazer seu próprio Destino: “50% são da cabeça, os outros 50, dos Orixás”. Muitas pessoas vão buscar a cura de doenças nas casas. Os clientes são encaminhados a comprar uma oferenda, após a consulta de búzios e cartas, mas nunca são aconselhados a se desvincular do tratamento médico convencional.
Quem caminha pelo Mercado Público de Porto Alegre, mal pode imaginar a sua áurea de misticismo. Antes de sua restauração e expansão, o mercado abrigava uma árvore centenária, bem em seu centro. Aquele local, tornou-se o Assentamento de Bará- onde a entidade Bará 'baixou' pela primeira vez em Porto Alegre. Os escravos colocavam as oferendas nas raízes da árvore. Até hoje, as festas de Nossa Senhora dos Navegantes,entre outras, são sincretizadas com a religião afro e comemoradas ali, mesmo sem a árvore.

Assentamento de Bará: somente um local de passagem em dia de semana no mercado público



Emerson Waner de Xangô Agandju, 34, é de religiosidade de matriz africana e militante da ONG Axé, Arte e Cidadania. No Mercado Público de Porto Alegre, local escolhido pelo nosso entrevistado, conversamos sobre alguns aspectos do panorama religioso afro-gaúcho.

(Ouça a entrevista na íntegra)

Sorte ou Revés: Você acha que as pessoas acreditam num Orixá para ter sorte na vida? Elas fazem as coisas do jeito que os orixás pedem para fazer?

Emerson Waner de Xangô Agandju:

A gente não pode dizer certo que todo mundo faz certinho. Em todas as religiões tem gente que faz as coisas erradas, mas não é culpa da religião. No meu ponto de vista, em relação à sorte, eu acho que ela existe, mas as pessoas que freqüentam e praticam a nossa religião não estão aqui por sorte. Até porque a nossa religião não ajuda a mudar a vida de ninguém. Ela simplesmente ajuda a passar pelo o que se tem que passar aqui na Terra e preparar o teu espírito para uma nova encarnação. Esse é o objetivo da nossa religião. E outra coisa que a gente tem muito forte é a caridade. Nossa religião prega à caridade para com as pessoas e as ajuda em doenças, enfim, paz de espírito. Mas não tem o objetivo de procurar sorte. A sorte é outra coisa.

Sorte ou Revés: Qual é o significado das encruzilhadas e do que é feito exatamente nas encruzilhadas?

E.W. de Xangô Agandju:

Aqui no Rio Grande do Sul, mais especificamente, há uma particularidade em relação aos outros Estados na religiosidade de matriz africana. Aqui a gente tem diversos cultos de Nação que é o africanismo. A gente tem a nação Oió, entre outras Nações. Essas Nações divergem entre si. Na época em que os escravos foram trazidos para Brasil, os mercadores traziam um de cada tribo porque era mais fácil até para eles não se entenderem na comunicação e não haver um motim. Aí já começam as diferenças porque cada tribo tinha uma doutrina e um rito de adorar e saudar o seu Orixá. O Orixá trabalha com os elementos de natureza, terra ar e mar. A encruzilhada gira mais para o Bará que é um orixá da Nação. Na nossa ideologia religiosa é quem cuida dos caminhos. Portanto, o lugar onde se coloca uma oferenda para o Bará é uma encruzilhada, um ponto de energização dele (dois caminhos que se cruzam). Mas não é como se vê hoje, que os caras largam (oferendas) nos asfalto. A gente larga em dois caminhos que se cruzam de preferência de chão batido, com menos fluxo de pessoas e carros.

Além da Nação, há outro segmento que é mais do Rio Grande do Sul que é a Umbanda. A Nação Africana trabalha com a energia do Orixá, não existe incorporação e sim ocupação. Iemanjá é tu chegar na beira do mar e sentir a energia das águas. Na Umbanda se trabalha com incorporação. Espíritos que viveram na Terra e por cumprir seus ciclos de reencarnações tendo uma passagem bem evoluída, eles vem na linha de espíritos mentores que as pessoas incorporam. Nas encruzilhadas se larga para o Orixá do Barah (ponto de energização do Cruzeiro) e para a linha de Exú, um terceiro segmento religioso do Rio Grande do Sul.

Na Linha de Exú, há também espíritos que cumpriram seus ciclos de encarnações mas não conseguiram atingir um grau de luz, claridade e maturidade espiritual. Eles vêm na tradicional Quimbanda. Desses espíritos, 90% respondem na encruzilhada. Coloca-se a oferenda na encruzilhada, ponto de energização. Essas entidades são muito utilizadas para praticar o bem. Tudo que eles fizerem de bom eles atingem uma evolução que é o seu objetivo real. Não têm a luz, a procuram. Diferente da Umbanda e da Nação que têm o espírito de luz e dão a luz.

Como em qualquer religião vai da sua dedicação, da sua fé. Há uma doutrina a seguir, um dogma, um rito. Da mesma forma nós temos o nossos que são praticados com fé, dedicação e respeito.

Sorte ou Revés: Há um preconceito muito grande com essa religião. Até mais que com muitas outras religiões. Umbanda trabalha com a questão de energia, com a solidariedade e de qualquer forma as pessoas têm medo, preconceito e acham que é uma coisa do mal. Você tem algum preconceito com a relação até outro tipo de religião?

E.W. de Xangô Agandju:

Eu trabalho com religião africana há dezenove anos. Deve haver muitas pessoas que sabem muito mais de religião que eu, entendem muitas coisas e devem ter algum conceito diferente. Eu me dedico muito à minha religião, pesquiso e estudo muito. Mas se eu quero conhecer e discutir religião, tenho que me dedicar fazendo seminários com outras religiões. Discriminação sempre vai existir em qualquer religião que tu fores freqüentar. Nenhuma religião é ruim, as pessoas que estragam. Tem pessoas que denigrem a imagem da nossa religião perante a sociedade – às vezes por falta de informação, conhecimento. Algumas entram na religião por vaidade, muitas se envaidecem da religião que freqüentam, o que é errado. Mas eu não tenho discriminação com nenhum tipo de religião. Muito pelo contrário, me dou com os vários segmentos. Tudo que fizer bem feito com fé é correto.

A nossa discriminação é bastante em função do sacrifício. O pessoal diz “olha o batuqueiro”. Primeiro, não existe "o batuqueiro". A gente tem uma ONG que tem os fóruns religiosos de matriz africana em Porto Alegre, demandamos várias políticas de igualdade de direitos tanto racial quanto religiosos. É uma conquista na Câmara de Vereadores, é um direito constitucional a liberdade de credos. Cada credo tem seus dogmas, o nosso prega o sacrifício de animais para agradar o Orixá. Mas não é que tu vai sacrificar o animal e colocar na rua. Não funciona assim. Existem sensacionalistas que fazem isso, mas a religião não prega isso. A única coisa que se usa desse animal é o sangue, que é o maior transmissor da energia. O resto da carne é limpa, assada e as pessoas comem.

O Orixá é o espírito de muita luz e de muita grandeza na Nação. A Umbanda se assemelha muito ao Espiritismo, mas nós damos nomes aos bois e eles não dão. No meu entendimento, espírita trabalha só com Egum, espírito que veio na Terra e morreu. Eles doutrinam esses espíritos e encaminham para um determinado local no astral. Nós fizemos da mesma forma, encaminhamos o espírito que veio pedir ajuda, doutrinamos ele. Só que nós damos nomes para as coisas. O espiritismo não dá. Quando dizem nossa religião trabalha com espíritos menos evoluídos, realmente trabalha. O Exú realmente é menos evoluído. Nós trabalhamos esses espíritos para que eles atinjam uma evolução. A ajuda tem que ser dada para todos: para os menos evoluídos e para os mais evoluídos.

Sorte ou Revés: Qual foi o motivo de marcar o encontro aqui no Mercado Público?

E.W. de Xangô Agandju:

O Mercado Público é um lugar de referência para a religiosidade africana aqui em Porto Alegre. O centro do Mercado Público é um Cruzeiro (dois caminhos que se cruzam). E ali no centro do Mercado Público tem uma obrigação enterrada de um Orixá que abre os caminhos, que cuida do movimento, que é dono do ouro. Não vou poder te precisar a data que essa obrigação foi enterrada ali. Mas posso te dizer que já faz mais cem anos que foi enterrada por um escravo. Nada melhor que te trazer aqui, que é um lugar ponto, raiz em Porto Alegre.

Teria outros lugares em Porto Alegre. Estamos brigando com a prefeitura para tombar como patrimônio histórico e transformar o Largo Zumbi dos Palmares numa referência do poço de religião para que se faça atividades religiosas de todos os segmentos de matriz africana.
Até tem um obrigação que se faz na Nação quando tu faz o chão (deitar para o Orixá, em respeito a ele por determinados dias). Quando você levanta, uma das obrigações é passear pelo Mercado Público, que é o lugar do movimento, do comércio, do axé. Tudo que se refere à religião eu gosto que seja no Mercado Público.

Sorte ou Revés: Você é militante da ONG Axé, Arte e Cidadania. Que tipo de trabalho ela realiza?

E.W. de Xangô Agandju:

A ONG axé existe já há três anos e executa diversos trabalhos. A gente trabalha com oficinas de corte e costura, de dança afro, de Hip Hop, trabalhamos com políticas sociais, geração de emprego e renda. Estamos tentando desenvolver projeto para colocar um telecentro e informatizar as crianças. A gente tem uma Companhia de dança que é parceira da ONG, uma companhia de dança afro com apresentações, oficinas: culinária, costura afro. São vários trabalhos sociais para a comunidade mais carente.
A ONG fica na rua Dr. Hermes Pacheco, número 59, no bairro Hípica, na Zona Sul.



O cavalo de Santo Forte trota nos rincões e, também, no átrio do Santander Cultural


A metáfora do cavalo é utilizada nas religiões afro quando um orixá ‘baixa’ no corpo de um dos participantes das cerimônias religiosas.
Mirian Fistcher, jornalista gaúcha do veículo O Estado de São Paulo, soube aproveitar os nuances do “Santo Forte”. Por aproximadamente 10 anos, a jornalista acompanhou de perto as diferentes celebrações das religiões umbanda, quimbanda e batuque no Rio Grande do Sul. O produto dessa pesquisa transformou-se na exposição de fotos no Átrio do Santander Cultural. Com 31 registros, Mirian resgata as peculiaridades que os gaúchos adicionaram aos cultos: polenta como oferenda, churrasco na vala para Ogun e pai-de-santo pilchado com bombacha.
Tradição na época da festa de Iemanjá, as praias de Tramandaí e a orla de Ipanema em Porto Alegre ficam minadas de pratos com velas para os santos do mar. A frente do Centro Administrativo, 12 entidades esbanjaram elegância com as suas vestimentas coloridas e os ornamentos de Orixás. Ciganos, exus e pomba-gira também tem seu espaço marcado com o contraste das cores vermelha e preta. Crianças, adultos e muita simbologia foram clicadas por Mirian. A exposição também traz polêmica. Um vídeo com imagens de um batismo de sangue, a cerimônia que introduz crentes a religião Umbanda, incomodou muitos visitantes. A cena compreende um homem sentado no chão, semi-nu, coberto de penas e sangue de uma galinha que estava sendo degolada.
Considerada sagrada, a cerimônia não pode ser visualizada por leigos. Porém, Mirian afirma que recebeu autorização de uma entidade para fotografar.
Inédito no Estado, a exposição inova ao mostrar cenas de uma vertente religiosa que está em ascendência por aqui. Enquanto no Brasil houve uma queda de 0,3 % nas pessoas que se declaravam de religião afro, no Rio Grande do Sul houve um crescimento de 1,2 % para 1,6%.

quarta-feira, 8 de outubro de 2008

No que o Brasil acredita?

As caveiras de marsupiais, para os povos indígenas do Alto Solimões, espantam os maus espíritos.

Museu do Índio -Manaus, Amazonas





O fantasma de Ana Jansen, rica viúva do séc XIX, vaga pelas rua de São Luis. Quem a ver, tem de rezar por sua alma. Caso contrário, ao amanhecer terá um osso desencarnado nas mãos.
Centro Histórico - São Luis, Maranhão





As águas de cheiro trazem amor, sorte, dinheiro, entre outros. O perfume "Chega-te a mim" é feito com um pedaço da genitália da bota e atrai o amor não correspondido.

Mercado Ver-O-Peso- Belém, Pará




Os ex-votos, objetos que reproduzem partes do corpo humano, são a maneira que os fíeis católicos têm de retribuir a cura alcançada.

Igreja Senhor do Bonfim- Salvador, Bahia
Fotos: Mariana Ávila

quinta-feira, 4 de setembro de 2008

Jogos e Legalidade: a Sorte em Xeque



No dia 27 de Julho de 2006, a Operação Víspora surpreendeu os usuários de Bingos e Caça- Níqueis por todo Rio Grande do Sul. Os apostadores acordaram ilegais, e sua diversão, considerada uma máfia.
Os bicheiros desapareceram com as suas correntes de ouro da frente das padarias, uma vez que a Operação Safári quis enjaulá-los.
Dia 3 de Setembro, a fila de apostadores da Loteria 7 da Sorte dobra a esquina das Ruas Uruguai com a Siqueira Campos. O motivo: Mega-sena acumulada. O sonho de ser milionário, da noite para o dia, mexe com o imaginário de muita gente.
No fim das contas, não é só sorte que está em jogo? Conceitualmente, sim. Mas a diferença é o destino do dinheiro.
O advogado especialista em direito penal Antônio Grossi revela que os jogos de azar são crimes por não serem regulamentados pela legislação brasileira. “Não há interesse político para regulamentar os jogos, pelo fato destes jogos ilícitos arrecadarem mais impostos do que se fossem permitidos”.No caso dos bichos, a operação Safári , que começou ano passado, a desarticulou um grupo que praticava lavagem de diheiro e investia em imóveis. A movimentação financeira chegava a R$ 4,5 milhões por mês.

Os Bingos de Porto Alegre foram fechados, assim como todos os outros em âmbito nacional. Estima-se que no Brasil de 1% a 3% dos apostadores sejam viciados no jogo. A patologia inicia na adolescência e aumenta na fase adulta. Antigamente, a dependência era maior entre o sexo masculino, média de três homens para uma mulher, hoje em dia a proporção é de um para um.
As Loterias Federais têm parte de sua arrecadação destinada ao esporte nacional, a seguridade social, ao programa de Financiamento Estudantil, entre outros. Só em 2007, mais de R$ 2,56 bilhões foram gerados a partir da ‘sorte’ da população. R$ 148.891.570,83 foram destinados ao Fundo Nacional de Cultura para a preservação, o desenvolvimento e a divulgação da riqueza cultural de nosso país. O Fundo Penitenciário Nacional (FPN) recebeu R$ 155.971.359,20 para investir na segurança dos cidadãos.

LOCAIS ONDE FORAM APREENDIDOS JOGOS DE AZAR (CAÇA NÍQUEIS)

Exibir mapa ampliado


No Bar Rodriguez, na Cidade Baixa quando perguntam a respeito das máquinas de caça-níques, o dono do bar é objetivo “Eu as tinha até que a Polícia Federal as lacrou e levou embora. Várias pessoas que jogavam, as máquinas estavam aqui há bastante tempo’’
Os apostadores não se conformam. Uma associação destes fez um blog especializado para rastrear quais bingos estão abertos e até oferece um projeto de lei para a regulamentação da instituição. O advogado Grossi declara que para a sociedade há mais benefícios na regularização destes jogos, pois haveria maior controle de divisas, de arrecadação de impostos e mais postos de trabalho com carteira assinada.
Danniele Pimentel, 28 anos, apostadora e ex-funcionária de bingo apresenta uma solução: ‘Legalizar para gerar empregos e pagamento de impostos. É um comércio normal como qualquer outro, sendo que uma parte desta verba podia ser destinada ao esporte, ou a saúde e educação.’